quarta-feira, novembro 09, 2005

Fitas em Tomar

Aqui há uns meses veio abaixo o Cine-Esplanada. Depois acabaram as sessões de cinema no Cine-Teatro. Agora é o Cine-Templários vai fechar. Os tomarenses que queiram, daqui a pouco tempo, ir ao cinema terão que sair da cidade para o fazer. São já muitas as vozes que se levantam contra o encerramento do Cine-Templários e até está marcado um protesto em frente ao Cine-Teatro [no próximo sábado].

Vamos por partes.

Quanto à demolição do Cine-Esplanada lamento a decisão da Câmara, apesar de nunca lá ter ido ao cinema. Fui lá assistir a concertos várias vezes e creio que o local poderia e deveria ter sido recuperado, aproveitado e devolvido à cidade.
Relativamente ao fim das sessões de cinema no Cine-Teatro o caso é diferente. Passando por cima dos erros a nível da programação, aquilo que vi foi uma sala sistematicamente vazia. Muitos dos que agora lamentam que não haja cinema naquela sala, provavelmente nunca lá terão visto um filme [alguns talvez nunca lá tenham mesmo entrado]. Não me surpreende que as sessões de cinema tenham sido sumariamente extintas.
E agora o Cine-Templários. A sala é um horror: demasiado fria no Inverno, demasiado quente no Verão, as cadeiras de um desconforto a roçar a tortura. A programação apresentava uma qualidade acima da média e era mesmo motivo de uma certa inveja de residentes em concelhos vizinhos [como por exemplo, Torres Novas]. O problema é o número de espectadores. Abaixo de escasso. Alguém se surpreende que a sala encerre? Eu não.

A questão, dir-me-ão, é que um concelho como o nosso não pode ficar sem cinema porque isso representa um empobrecimento da vida cultural da cidade e do concelho. Verdade, mas uma verdade aparente. Para que queremos um cinema, um teatro, uma sala de concertos, museus, galerias de arte, bibliotecas, enfim, seja que espaço cultural for se não os frequentamos. Apenas para podermos dizer que os temos? Para não ficarmos atrás dos concelhos vizinhos?

Em Tomar, mais do que a falta de espaços culturais, o problema é a falta de público para as ofertas culturais. E, meus amigos, sem público não há espaço que resista. É triste, mas é a realidade que temos. É possível alterar este estado de coisas? Creio bem que sim. Compete a quem direito criar as condições e o ambiente cultural para que o público aumente.